Produção Assistida: o que é, como funciona e o que muda para as empresas

Produção assistida: por que esse termo passou a fazer parte da agenda das empresas?

Produção assistida é um termo que ganhou relevância no mercado brasileiro em 2026, especialmente no contexto da Duplicata Escritural.

Desde 15 de julho de 2026, o novo ecossistema de duplicatas escriturais entrou em fase de produção assistida. Na prática, isso significa que as operações passaram a ocorrer em ambiente produtivo, com acompanhamento operacional, antes da implantação obrigatória escalonada do novo modelo.

Para empresas que vendem a prazo, compram de fornecedores, administram grandes volumes de contas a pagar e receber ou utilizam recebíveis em operações de crédito, a mudança vai muito além de substituir um documento físico por um eletrônico.

A Duplicata Escritural conecta documento fiscal, recebível, empresa, escrituradora, financiador, ERP e pagamento em um ecossistema digital.

E isso traz uma questão prática:

Como preparar os sistemas e processos da empresa para operar com a Duplicata Escritural?

Antes de responder, é importante esclarecer uma dúvida que aparece com frequência nas pesquisas sobre o tema.

Produção assistida ou apuração assistida: qual é a diferença?

Os termos são parecidos, mas tratam de assuntos completamente diferentes.

Produção assistida 

Está relacionada à Duplicata Escritural e à modernização do mercado de recebíveis.

É uma etapa de entrada em operação do ecossistema de escrituração e registro de duplicatas escriturais, sob acompanhamento dos participantes e do Banco Central. A B3 iniciou sua produção assistida em 15 de julho de 2026.

Apuração assistida

Está relacionada à Reforma Tributária do Consumo.

É o modelo utilizado na estruturação da apuração de IBS e CBS, com informações provenientes de documentos fiscais eletrônicos e outros registros. A Receita Federal mantém, inclusive, um módulo específico de Apuração Assistida da CBS, enquanto o CGIBS conduz o projeto do sistema de apuração assistida do IBS.

Em resumo

TermoContextoPrincipal assunto
Produção assistidaMercado de crédito e recebíveisDuplicata Escritural
Apuração assistidaReforma TributáriaIBS e CBS

Portanto, quando o assunto é Duplicata Escritural, o termo correto é produção assistida. Quando o assunto é IBS, CBS e Reforma Tributária, fala-se em apuração assistida.

Essa diferença é importante não apenas para entender a regulamentação, mas também para identificar corretamente quais áreas da empresa precisam participar de cada projeto.

O que é a produção assistida da Duplicata Escritural?

A produção assistida é a fase em que o ecossistema de Duplicatas Escriturais começa a operar em ambiente produtivo antes da obrigatoriedade escalonada. No caso da B3, a produção assistida começou em 15 de julho de 2026, depois da autorização do Banco Central e da conclusão dos testes individuais e integrados realizados com participantes do ecossistema.

Durante essa fase, empresas e financiadores podem operar com duplicatas escriturais em condições reais, permitindo validar processos e realizar ajustes antes da adoção obrigatória. É, portanto, uma fase de operação e preparação, e não apenas um ambiente de homologação.

A própria B3 descreve a produção assistida como a entrada em operação do ecossistema de escrituração e registro, com adesão voluntária dos sacadores durante essa etapa.

O que é uma Duplicata Escritural?

A Duplicata Escritural é a versão digital da duplicata mercantil ou de prestação de serviços. Ela representa um direito de crédito decorrente de uma venda ou prestação de serviço realizada a prazo e passa a ser emitida e registrada em sistemas eletrônicos autorizados. O Banco Central destaca que o modelo permite maior segurança, rastreabilidade e controle da titularidade do crédito.

De forma simplificada:

Venda ou prestação de serviço a prazo

Documento fiscal eletrônico

Duplicata Escritural

Escrituração e registro

Negociação ou financiamento

Pagamento

Liquidação

Essa estrutura cria uma conexão mais direta entre a operação comercial e o recebível financeiro.

Como funciona a Duplicata Escritural?

O processo começa com uma venda de mercadoria ou prestação de serviço a prazo. A partir dessa operação, é emitido o documento fiscal eletrônico e, conforme o caso, é originada a duplicata escritural. O título é então escriturado em um sistema autorizado e passa a ter uma identificação e um histórico eletrônico.

A partir daí, a duplicata pode ser utilizada em operações de crédito ou negociada com financiadores, respeitando as regras aplicáveis. O Banco Central informa que o ecossistema permite acompanhar a operação desde a emissão até a liquidação, incluindo informações sobre titularidade, gravames e negociações.

Quem participa do ecossistema da Duplicata Escritural?

A mudança envolve muito mais participantes do que apenas quem emite a duplicata.

Entre os principais estão:

Sacador

É o fornecedor que vende um produto ou presta um serviço a prazo e possui um valor a receber.

Sacado

É o comprador que assume a obrigação de pagamento.

Escrituradora

É a entidade autorizada a realizar a escrituração das duplicatas.

Registradoras e demais infraestruturas

Participam do ecossistema de registro, depósito ou demais funções previstas na regulamentação.

Financiadores

Bancos, fintechs, fundos e outras instituições podem utilizar os recebíveis em operações de crédito, conforme as regras aplicáveis.

O Banco Central informa que B3, CERC e Núclea estão entre as infraestruturas autorizadas no ecossistema, conforme suas respectivas atividades e autorizações.

Quando a Duplicata Escritural será obrigatória?

A implantação ocorre de forma escalonada.

O Banco Central estabeleceu um cronograma relacionado ao porte das empresas sacadoras, e a própria página oficial de Duplicatas Escriturais apresenta a seguinte linha geral:

  • 2026: produção assistida e entrada em funcionamento do ecossistema;
  • 2027: grandes sacadores;
  • 2027/2028: médios sacadores;
  • 2028: pequenos sacadores.

Materiais da B3 detalham a implantação escalonada considerando o faturamento anual das empresas sacadoras, com grandes empresas acima de R$ 300 milhões como primeiro grupo.

Por isso, para empresas de grande porte, 2026 é menos um ano para esperar a obrigatoriedade e mais um período para preparar a operação.

O que muda para as empresas?

A Duplicata Escritural não deve ser tratada apenas como uma mudança no documento de cobrança.

Ela altera a forma como a empresa pode emitir, registrar, consultar, negociar, acompanhar e liquidar recebíveis.

Isso pode envolver diferentes áreas:

  • Contas a Receber;
  • Contas a Pagar;
  • Tesouraria;
  • Financeiro;
  • Controladoria;
  • Fiscal;
  • TI;
  • SAP ou outro ERP;
  • bancos e instituições financeiras.

Para quem vende a prazo, a preocupação está principalmente na originação e gestão dos recebíveis.

Para quem compra a prazo, o desafio passa também pelo recebimento, consulta, manifestação e pagamento das duplicatas escriturais.

O que muda para o Contas a Receber?

Para o Contas a Receber, a mudança começa na origem do recebível.

A empresa precisa avaliar como a operação de venda a prazo gera a informação necessária para a duplicata escritural e como essa informação chegará à infraestrutura de escrituração.

Isso envolve perguntas como:

  • Como o título nasce dentro do ERP?
  • Quais informações vêm da NF-e?
  • Como a duplicata será enviada à escrituradora?
  • Como acompanhar seu status?
  • Como tratar alterações?
  • Como identificar sua titularidade?
  • Como acompanhar uma eventual negociação?
  • Como conciliar o recebimento com o título escriturado?

O objetivo é evitar que a Duplicata Escritural se transforme em um processo paralelo e manual ao ERP.

O que muda para o Contas a Pagar?

Para o Contas a Pagar, a transformação pode ser ainda mais relevante do que parece.

O sacado precisa ter acesso às informações das duplicatas emitidas contra ele e aos serviços previstos na regulamentação, incluindo visualização do título, titularidade, gravames, notificações, formas de pagamento e situação da liquidação.

Também deve poder realizar, conforme aplicável, manifestações como aceite ou recusa, informar a ciência de determinadas notificações e registrar liquidações realizadas.

E existe um ponto especialmente importante para empresas com grande volume:

Esses serviços podem ser disponibilizados por integração com os sistemas informatizados do próprio sacado.

Isso significa que a Duplicata Escritural não precisa ser tratada como uma operação exclusivamente externa ao ERP.

Ela pode fazer parte do fluxo tecnológico da empresa.

O que acontece quando uma Duplicata Escritural é negociada?

A negociação de uma duplicata pode alterar sua titularidade.

Por isso, o ecossistema eletrônico registra informações sobre o titular do crédito, além de gravames e ônus quando existentes.

Para o sacado, isso traz uma consequência operacional importante:

o pagamento precisa estar conectado à situação atual do recebível.

É justamente nesse ponto que entra outro conceito importante da nova infraestrutura: o boleto dinâmico.

O que é o boleto dinâmico?

O boleto dinâmico é um instrumento de pagamento vinculado a um ativo financeiro, como uma duplicata escritural.

Uma de suas características é permitir a atualização da instituição destinatária e do beneficiário quando ocorre uma negociação do ativo financeiro vinculado, de acordo com as regras aplicáveis.

Na prática, isso ajuda a garantir que o pagamento seja direcionado ao legítimo titular do crédito.

O Banco Central explica que, se a duplicata for negociada ou transferida, o boleto dinâmico pode atualizar o titular do crédito para que o pagamento seja direcionado corretamente.

Para o Contas a Pagar, isso reforça a importância de integrar:

título → titularidade → instrumento de pagamento → pagamento → liquidação.

O que é o tombamento na Duplicata Escritural?

Outro conceito que as empresas precisam conhecer é o tombamento.

O tombamento é parte da transição para o novo modelo e permite levar para o ambiente eletrônico determinados contratos de recebíveis já existentes entre financiadores e fornecedores.

Segundo o Banco Central, esse processo permite que contratos existentes continuem válidos e passem a produzir efeitos nos sistemas de escrituração e registro.

Para empresas que já possuem operações estruturadas de recebíveis, essa transição merece atenção porque envolve a convivência entre operações anteriores e o novo ecossistema digital.

Duplicata Escritural substitui o boleto?

Não exatamente.

Duplicata e boleto são instrumentos diferentes.

A duplicata representa o direito de crédito decorrente de uma venda ou prestação de serviço a prazo.

O boleto é um instrumento de pagamento.

No novo ecossistema, o boleto pode estar vinculado à duplicata escritural. Quando utilizado como boleto dinâmico, pode acompanhar mudanças relacionadas ao titular do crédito.

Por isso, a mudança não deve ser entendida como simplesmente:

“o boleto acabou”.

O que está mudando é a infraestrutura que conecta recebível, titularidade, negociação e pagamento.

Duplicata Escritural e ERP: o que precisa ser preparado?

Essa é uma das questões mais importantes para qualquer empresa que utiliza um ERP.

Independentemente de utilizar SAP, TOTVS, Oracle, Microsoft Dynamics ou outro sistema, a organização precisa avaliar como a nova infraestrutura se conecta aos processos existentes.

Algumas perguntas são essenciais:

Originação

Como a venda a prazo gera o recebível dentro do ERP?

Documento fiscal

Como a NF-e ou outro documento fiscal se relaciona com o título?

Integração

Como as informações serão enviadas à escrituradora?

Retorno

Como eventos e alterações retornarão para o ERP?

Titularidade

Como o sistema saberá que um recebível foi negociado?

Pagamento

Como o Contas a Pagar identificará o destinatário correto?

Conciliação

Como o pagamento será conciliado com a duplicata escritural?

Auditoria

Como a empresa terá rastreabilidade de todo o ciclo?

Esse é o ponto em que a discussão deixa de ser apenas financeira e passa a ser também tecnológica.

Duplicata Escritural no SAP: o que muda?

Para empresas que utilizam SAP, a Duplicata Escritural precisa ser analisada como parte da arquitetura de processos financeiros e de integração.

O SAP concentra processos que podem estar diretamente relacionados à jornada do recebível e do pagamento, como:

  • faturamento;
  • contas a receber;
  • contas a pagar;
  • gestão de clientes;
  • fornecedores;
  • documentos fiscais;
  • pagamentos;
  • conciliação;
  • tesouraria.

Por isso, uma implantação de Duplicata Escritural no SAP não deveria ser tratada simplesmente como uma conexão isolada com uma escrituradora.

É necessário avaliar o fluxo completo.

Para o Contas a Receber:

Faturamento → documento fiscal → título → Duplicata Escritural → escrituração → negociação → recebimento → conciliação

Para o Contas a Pagar:

Documento recebido → obrigação → Duplicata Escritural → consulta/manifestação → titularidade → pagamento → liquidação → conciliação

A B3, por exemplo, destaca entre as possibilidades de sua infraestrutura a conexão direta com ERPs ou plataformas, além de governança de dados e suporte técnico.

SAP, TOTVS ou outro ERP: a lógica é a mesma?

Em termos de negócio, sim.

A tecnologia utilizada pode mudar, mas os processos que precisam ser avaliados permanecem relacionados à mesma jornada:

operação comercial → documento fiscal → recebível → escrituração → negociação → pagamento → liquidação.

O que muda é a arquitetura de cada ambiente.

Uma empresa SAP pode precisar avaliar integrações com seus módulos financeiros e soluções fiscais.

Uma empresa que utiliza TOTVS pode precisar adaptar seus módulos financeiros e integrações disponíveis.

Uma organização com Oracle, Microsoft Dynamics ou outro ERP terá outra arquitetura.

Por isso, a preparação para a Duplicata Escritural deve começar pelo mapeamento do processo, e não pela escolha de uma tecnologia isolada.

Como integrar a Duplicata Escritural ao ERP?

A regulamentação permite que determinados serviços disponibilizados aos sacados sejam acessados por integração com sistemas informatizados do próprio sacado ou de terceiros autorizados.

Na prática, uma arquitetura de integração pode considerar:

ERP

↕️

Camada de automação/integração

↕️

Escrituradora

↕️

Ecossistema de registro e negociação

↕️

Bancos e financiadores

Isso permite pensar a Duplicata Escritural como parte da arquitetura corporativa, e não como um sistema externo utilizado manualmente pelo financeiro.

A forma concreta de integração dependerá da infraestrutura escolhida, dos serviços contratados e dos padrões técnicos disponibilizados.

Quais sistemas precisam conversar?

Uma avaliação de preparação pode envolver pelo menos:

Sistema/processoO que avaliar
ERPOriginação e gestão dos títulos
FiscalRelação entre documento fiscal e operação
Contas a ReceberGeração, gestão e negociação dos recebíveis
Contas a PagarConsulta, manifestação, pagamento e liquidação
TesourariaFluxo financeiro e conciliação
EscrituradoraEnvio, consulta e retorno de informações
Bancos/financiadoresOperações de crédito e recebíveis
Boleto/PagamentoInstrumentos vinculados ao título
MonitoramentoExceções, inconsistências e eventos

O que as grandes empresas precisam testar durante a produção assistida?

A produção assistida é uma oportunidade para transformar uma mudança regulatória em um projeto controlado de preparação operacional.

Antes da obrigatoriedade, empresas podem avaliar:

1. Processo de emissão

Como os títulos são originados?

2. Qualidade dos dados

As informações necessárias estão disponíveis e consistentes?

3. Integração

O ERP consegue conversar com a infraestrutura escolhida?

4. Recebimento de eventos

Como alterações, notificações e informações de titularidade retornam para a empresa?

5. Contas a Pagar

Como o sacado visualiza e manifesta os títulos?

6. Contas a Receber

Como a empresa acompanha os recebíveis escriturados?

7. Negociação

Como o sistema identifica mudanças de titularidade?

8. Pagamento

Como o processo garante que o pagamento seja direcionado corretamente?

9. Conciliação

Como o título será conciliado depois do pagamento?

10. Rastreabilidade

É possível reconstruir o histórico completo de um título?

Quais são os principais riscos de deixar a adaptação para depois?

O maior risco não está necessariamente na existência da Duplicata Escritural, mas em descobrir tarde demais que processos e sistemas não estão preparados para conversar com o novo ecossistema.

Entre os pontos que merecem avaliação estão:

  • processos manuais;
  • integrações inexistentes;
  • dados inconsistentes;
  • dificuldade para acompanhar eventos;
  • divergência entre ERP e escrituradora;
  • tratamento inadequado da titularidade;
  • falta de rastreabilidade;
  • dificuldade para conciliar pagamentos;
  • processos separados entre Contas a Pagar e Tesouraria;
  • dependência de controles paralelos;
  • impacto sobre operações de financiamento e antecipação de recebíveis.

Para grandes organizações, o desafio aumenta proporcionalmente ao volume de títulos, CNPJs, unidades de negócio e sistemas envolvidos.

Produção assistida não é apenas um teste: é uma oportunidade de preparação

A entrada em produção assistida muda a natureza do projeto.

Até então, a Duplicata Escritural poderia ser tratada como uma transformação regulatória futura.

Agora existe uma infraestrutura em operação e uma janela para que empresas avaliem, na prática, como seus processos irão funcionar.

A B3 afirma que a fase permite que empresas e financiadores operem em condições reais de mercado, validem processos e façam ajustes antes da adoção definitiva.

Para uma grande empresa, isso significa que a preparação pode começar pelo processo mais importante:

entender como um recebível nasce, circula, é negociado e é pago dentro da organização.

Produção Assistida e Duplicata Escritural: o que sua empresa deve fazer agora?

Não existe uma única arquitetura que sirva para todas as empresas.

Mas uma preparação consistente pode começar por cinco movimentos:

1. Mapear a jornada do recebível

Da emissão da NF-e ao recebimento ou negociação.

2. Mapear a jornada do pagamento

Da entrada da obrigação à liquidação.

3. Identificar os sistemas envolvidos

ERP, fiscal, financeiro, bancos, escrituradora e demais plataformas.

4. Definir a estratégia de integração

Avaliar APIs, interfaces, arquivos e demais mecanismos disponibilizados pela infraestrutura escolhida.

5. Testar antes da obrigatoriedade

Utilizar a produção assistida para identificar gargalos, inconsistências e processos que ainda dependem de intervenção manual.

FAQ: Produção Assistida e Duplicata Escritural

O que é produção assistida?

É a fase de entrada em operação de um novo ecossistema em ambiente produtivo, com acompanhamento e ajustes antes da implantação obrigatória. No caso das duplicatas escriturais, a produção assistida começou em 15 de julho de 2026.

O que é produção assistida da Duplicata Escritural?

É a etapa de operação do ecossistema de escrituração e registro das duplicatas escriturais antes da obrigatoriedade escalonada. Durante essa fase, os sacadores podem aderir voluntariamente ao novo modelo.

Produção assistida e apuração assistida são a mesma coisa?

Não. Produção assistida está relacionada à Duplicata Escritural e ao mercado de recebíveis. Apuração assistida está relacionada à Reforma Tributária e à apuração de IBS e CBS.

Quando começou a produção assistida da Duplicata Escritural?

A data de início das operações dos sistemas de escrituração foi estabelecida pelo Banco Central em 15 de julho de 2026.

Quando a Duplicata Escritural será obrigatória?

A implantação ocorre de forma escalonada conforme o porte das empresas sacadoras. O cronograma oficial prevê grandes, médios e pequenos sacadores em etapas sucessivas.

O que é uma Duplicata Escritural?

É a versão digital da duplicata, emitida e registrada em sistemas eletrônicos autorizados, permitindo controle da titularidade e rastreabilidade das operações.

O que é um sacador?

É o fornecedor que realizou uma venda ou prestação de serviço a prazo e possui um valor a receber.

O que é um sacado?

É o comprador ou adquirente que possui a obrigação de pagamento.

O que muda para o sacado?

O sacado passa a ter acesso eletrônico às informações das duplicatas emitidas contra ele e aos serviços previstos na regulamentação, incluindo informações sobre titularidade, gravames, notificações, pagamento e liquidação.

O que é boleto dinâmico?

É um boleto vinculado a um ativo financeiro, como a Duplicata Escritural, que pode ter seu beneficiário ou instituição destinatária atualizado conforme negociações do ativo, segundo as regras aplicáveis.

O que é tombamento na Duplicata Escritural?

É o processo de transição que leva determinados contratos de recebíveis já existentes para o ambiente eletrônico de escrituração e registro.

A Duplicata Escritural substitui o boleto?

Não. A duplicata representa o direito de crédito; o boleto é um instrumento de pagamento. O boleto pode ser vinculado à Duplicata Escritural, inclusive na modalidade dinâmica.

A Duplicata Escritural pode ser integrada ao SAP?

Sim. A regulamentação prevê que determinados serviços oferecidos ao sacado possam ser disponibilizados por integração com seus sistemas informatizados. A arquitetura concreta dependerá da infraestrutura e da solução adotadas pela empresa.

A Duplicata Escritural pode ser integrada a outros ERPs?

Sim. O conceito não é exclusivo do SAP. Empresas que utilizam TOTVS, Oracle, Microsoft Dynamics ou outras plataformas também precisam avaliar como seus processos financeiros e integrações se conectarão ao novo ecossistema.

Duplicata Escritural: a mudança começa no recebível, mas chega ao ERP

A produção assistida da Duplicata Escritural inaugura uma nova etapa para o mercado brasileiro de recebíveis.

Para o fornecedor, a mudança envolve a digitalização e a rastreabilidade do crédito.

Para o financiador, cria uma infraestrutura mais estruturada para negociação dos recebíveis.

Para o sacado, traz novos processos de consulta, manifestação, titularidade e pagamento.

E, para as empresas de grande porte, existe uma quarta dimensão:

a tecnologia.

A Duplicata Escritural precisa conversar com os sistemas que já sustentam a operação financeira.

Por isso, a preparação não deveria começar pela pergunta:

“Qual sistema preciso contratar?”

Mas por outra:

“Como o meu recebível nasce, circula e é liquidado dentro da empresa — e como essa jornada vai se conectar ao novo ecossistema?”

Para empresas que utilizam SAP, esse diagnóstico pode envolver Contas a Receber, Contas a Pagar, Tesouraria, Fiscal, integrações e automação.

É nessa arquitetura que a Duplicata Escritural deixa de ser apenas uma mudança regulatória e passa a fazer parte da operação financeira.

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